Martin Scorsese “arrasa” as avaliações do Cinemascore e Rotten Tomatoes

O recente fracasso do filme “Mãe!“, de Darren Aronofsky, levou o aclamado cineasta Martin Scorsese, atualmente com 74 anos, a escrever um longo artigo no The Hollywood Reporter, onde manifesta o seu desagrado e irritação com a excessiva influência das classificações dos sites agregadores de críticas da imprensa, como o Cinemascore e o Rotten Tomatoes, acrescentando que “os bons filmes de cineastas reais não são feitos para serem decodificados, consumidos ou compreendidos instantaneamente”.

Scorsese diz que depois do feito o filme há as revisões e tal como outros, já recebeu críticas negativas e positivas. “As negativas, obviamente, não são muito divertidas, mas fazem parte. No entanto, direi que no passado, quando alguns críticos tinham problemas com um dos meus filmes, geralmente responderiam de forma inteligente, com posicionamentos reais e com o sentimento de serem obrigados a apresentar os seus argumentos”, salientou.

No texto, Scorsese recorda as muitas coisas que mudaram no cinema ao longo dos últimos vinte anos, destacando a maneira como os filmes são feitos, vistos e discutidos, afirmando que estas mudanças trouxeram vantagens e desvantagens. Como exemplo, apontou a tecnologia digital que tornou possível aos jovens fazerem filmes de forma imediata e com total independência. Por outro lado, o desaparecimento da projeção em 35mm na maioria dos cinemas, é uma perda real.

Mas para o cineasta, a grande mudança, que acredita não trouxe vantagens, começou nos anos 80, quando as “bilheteiras” se tornaram na grande obsessão que é hoje. O julgamento brutal que se faz para a estreia de um filme no fim de semana, transformou-as num desporto sangrento e encoraja a uma abordagem ainda mais brutal para a crítica do filme.

“Estou a falar de empresas de pesquisa de mercado como a Cinemascore, que começou no final dos anos 70 e agregadores online como o Rotten Tomatoes, que não têm absolutamente nada a ver com a crítica de filmes reais. Eles classificam um filme da mesma forma que classificamos um cavalo de corrida, um restaurante ou um eletrodoméstico. Têm tudo a ver com os negócios do cinema e absolutamente nada a ver com a criação ou a visualização inteligente do filme. O cineasta é reduzido a um fabricante de conteúdo e o espectador como um consumidor incontestável”, escreveu Scorsese.

“Essas empresas e agregadores estabeleceram um tom hostil aos cineastas sérios – mesmo o nome real de Rotten Tomatoes (tomates podres) é um insulto”, disse Scorsese, acerescentando: “E como as críticas de filmes escritas por pessoas apaixonadamente envolvidas e com conhecimento real da história do cinema desapareceram gradualmente da cena, parece que há cada vez mais vozes envolvidas no julgamento puro, pessoas que parecem ter prazer em ver filmes e cineastas rejeitados, demitidos e, em alguns casos, rasgados em pedaços. Não muito diferente da cena de violência presente em “Mãe!”, de Darren Aronofsky”.

Antes de assistir a “Mãe!”, Scorsese disse que estava extremamente perturbado por todos os julgamentos severos e que depois, ficou ainda mais, com essa pressa de julgamento, e, por isso, escreveu esta notícia para partilhar os seus pensamentos, afirmando que apenas um verdadeiro e apaixonado cineasta poderia ter feito o filme.

Fez também questão de relembrar as pessoas familiarizada com a história dos filmes, que há uma lista muto longa de títulos que foram rejeitados no primeiro lançamento e que se tornaram clássicos, citando alguns, como “O Feiticeiro de Oz (1939)”, “Do Céu Caiu Uma Estrela (1946)”, “A Mulher Que Viveu Duas Vezes (1958)” e “À Queima Roupa (1967)”.

A finalizar, Scorsese, que está envolvido nas filmagens de “Thr Irishman”, escreveu que tem esperança que as avaliações do Cinemascore e o Rotten Tomatoes talvez desapareçam e se dissolvam à luz de um novo espiríto de alfabetização cinematográfica, e que, “filmes feitos de forma apaixonada como “Mãe!”, continuarão a crescer nas nossas mentes”.

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